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Minerais críticos e estratégicos geram 129 mil empregos e revelam desafios no Brasil

© Sigma Lithium/Divulgação

O setor de minerais críticos e estratégicos (MCE) se consolida como um pilar fundamental para a economia brasileira, impulsionando a geração de 129.423 postos de trabalho. Este número representa mais da metade, ou precisamente 57%, do total de empregos na indústria extrativa mineral do país, que somou 226.634 vagas no período mais recente analisado. A relevância desses dados, divulgados pelo recém-lançado Portal de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), vai além dos números, apontando para um crescimento robusto de 8,6% em relação a 2023 e para a importância estratégica do Brasil no cenário global de transição energética e tecnológica.

A Ascensão dos Minerais Estratégicos: Contexto Global e Nacional

Minerais críticos e estratégicos são aqueles considerados essenciais para tecnologias de ponta, energias renováveis, defesa e indústrias de alta complexidade. Entre as 21 substâncias destacadas pelo portal da ANM, figuram o lítio, vital para baterias de veículos elétricos; terras-raras, indispensáveis em eletrônicos e turbinas eólicas; nióbio, onde o Brasil detém a maior reserva mundial; além de outros como alumínio, ouro, ferro, cobre e titânio. A crescente demanda global por esses elementos, impulsionada pela busca por descarbonização e inovação tecnológica, posiciona o Brasil em uma encruzilhada estratégica, com vastas reservas e potencial para ampliar sua participação no mercado internacional.

A criação de uma política nacional para ampliar a produção desses minerais, como noticiado, sinaliza um reconhecimento governamental sobre o potencial do setor. No entanto, o caminho para o desenvolvimento não é isento de desafios. Enquanto mineradoras elogiam as propostas de um projeto de lei focado em MCE, municípios produtores expressam preocupações, principalmente quanto à distribuição de royalties, impactos ambientais e autonomia local. Essa dicotomia reflete a complexidade de equilibrar o crescimento econômico com a sustentabilidade e a justiça social nas comunidades diretamente afetadas pela mineração.

Emprego e Remuneração: Um Raio-X do Setor

Os dados detalhados pelo Portal da ANM, extraídos de fontes confiáveis como a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, oferecem um panorama claro sobre o perfil dos trabalhadores e suas remunerações. A predominância masculina no setor é notável, com 100.765 homens (78% do total) contra 28.658 mulheres (22%). Essa disparidade, embora histórica na indústria mineral, aponta para a necessidade de políticas de inclusão e diversidade para o setor.

A qualificação profissional emerge como um fator determinante para o acesso a melhores salários. Dos empregos relacionados aos MCE, 51.714 são de mão de obra qualificada, e 30.707 trabalhadores possuem ensino superior – um contingente que representa 14% do total e é crucial para as operações complexas e tecnologicamente avançadas. A remuneração média reflete essa hierarquia: R$ 3.218 para nível fundamental, R$ 4.142 para médio e um salto significativo para R$ 11.856 para profissionais com ensino superior. A presença de mulheres com ensino superior, embora menor em número absoluto (11.647 contra 19.060 homens), indica uma crescente, ainda que lenta, inserção feminina em posições de maior qualificação e responsabilidade.

Dominância do Ferro e Metais Preciosos

Quando se analisa por tipo de mineral, o extrativismo de ferro continua a ser o maior empregador, gerando 70.027 postos de trabalho, um reflexo da forte presença do Brasil no mercado global de minério de ferro. Os metais preciosos, como ouro e prata, vêm em segundo lugar, somando 21.313 empregos. Essa estrutura mostra a coexistência de um legado de mineração de commodities com a crescente importância dos minerais estratégicos, muitos dos quais ainda não alcançaram o mesmo patamar de empregabilidade, mas representam o futuro do setor.

Impacto Regional: Minas Gerais, Pará e Bahia no Centro da Mineração

A distribuição territorial da mineração de MCE revela uma forte concentração em poucos estados. Minas Gerais lidera com folga, empregando 62.631 pessoas, seguido pelo Pará (27.047) e Bahia (9.147). Esses estados são tradicionalmente grandes produtores minerais, com Minas Gerais destacando-se pelo ferro, nióbio e lítio, e o Pará pelo ferro, cobre e bauxita. A Bahia, por sua vez, tem expandido sua produção de ouro, cobre e níquel. A mineração, nesses locais, não é apenas uma atividade econômica, mas uma parte intrínseca da identidade e da dinâmica social.

A análise municipal aprofunda essa realidade. Parauapebas (PA), Nova Lima (MG) e Congonhas (MG) são os municípios com maior número de trabalhadores em MCE. Parauapebas, no Pará, com 8.234 empregos, é um gigante da mineração de ferro, onde 71,4% da força de trabalho é masculina e 28,6% feminina, com 1.851 profissionais de nível superior. Nova Lima, em Minas Gerais, com 8.218 empregos, tem uma história ligada ao ouro e exibe um perfil mais qualificado, com 4.776 trabalhadores de ensino superior e uma proporção de 63,3% homens e 36,7% mulheres. Congonhas (MG), com 7.114 trabalhadores, também forte no minério de ferro, tem 73,2% de homens e 26,8% de mulheres, com 1.234 graduados. Esses dados sublinham o impacto direto da mineração na economia local e na composição demográfica e educacional dessas cidades.

Desafios e o Futuro do Setor

Apesar do crescimento robusto no emprego e da significativa contribuição econômica – o país registrou, no período analisado, 1.012 áreas em produção que geraram R$ 250,4 bilhões –, o setor de minerais críticos e estratégicos no Brasil enfrenta desafios importantes. A necessidade de atrair investimentos sustentáveis, garantir a formação de mão de obra altamente qualificada, promover a diversificação das atividades econômicas nas regiões mineradoras e assegurar uma gestão ambiental responsável são pontos cruciais. A transparência e o acesso à informação, facilitados por ferramentas como o Portal da ANM, são passos importantes para um debate público mais qualificado sobre o futuro da mineração brasileira.

O Brasil possui um vasto potencial para se consolidar como um ator chave na cadeia global de suprimentos de minerais essenciais para o século XXI. No entanto, o sucesso dependerá da capacidade de harmonizar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental e o bem-estar social, transformando os recursos minerais em prosperidade duradoura para as comunidades e para o país. Para acompanhar de perto esses e outros temas que moldam o futuro de nossa economia e sociedade, continue conectado ao Capital MT, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada, comprometido com a qualidade da notícia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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