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queda da selic: entidades da indústria e trabalhadores consideram corte tímido e debatem impactos na economia

© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou, na última quarta-feira, a quinta redução consecutiva da taxa básica de juros da economia, a Selic, que passou de 14% para 13,75% ao ano. Embora qualquer recuo seja visto como um sinal positivo, a diminuta diminuição de 0,25 ponto percentual foi prontamente classificada como “tímida” e “insuficiente” pelas principais representações da indústria e dos trabalhadores no Brasil. A decisão do Copom reacendeu o debate sobre o equilíbrio entre o controle inflacionário e a necessidade de estímulo à atividade econômica, à geração de empregos e à saúde financeira de empresas e famílias.

A Selic, que serve como principal instrumento de política monetária para o controle da inflação, influencia diretamente os custos de crédito e financiamentos em todo o país. Um patamar elevado de juros encarece o dinheiro, desestimula investimentos e o consumo, mas, em tese, contribui para frear a alta de preços. Contudo, em um cenário de desaceleração inflacionária e expectativas de mercado mais controladas, a prudência do Banco Central tem sido questionada por setores que clamam por um fôlego maior para a economia real.

O Cenário da Decisão e a Persistente Cautela do Copom

A decisão do Copom ocorre em um contexto de queda consistente da inflação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, destacou em nota que a trajetória de desaceleração tem sido clara, atingindo 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto. Além disso, as expectativas do mercado indicam uma convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano, considerada o horizonte relevante para a política monetária. Para a CNI, esses indicadores já sinalizariam um espaço maior para cortes mais agressivos nos juros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, sublinhou a importância de o Banco Central manter a trajetória de queda, argumentando que a Selic em um patamar tão restritivo por tempo prolongado impõe à economia um custo desnecessário para assegurar a estabilidade de preços. Ele defende que há margem para avançar no ciclo de cortes sem comprometer o controle inflacionário, uma vez que a política monetária, mesmo após a recente redução, permanece austera. Com a Selic a 13,75% ao ano, o juro real — que desconta a inflação — está em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra, estimada pelo próprio Banco Central em 5% ao ano. Essa diferença sugere um aperto monetário significativo, dificultando a recuperação econômica.

A Voz dos Trabalhadores: Crédito, Emprego e o Impacto Social

Do lado dos trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) reconheceu a queda como um passo, mas ressaltou sua insuficiência diante do nível ainda muito elevado dos juros no país. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, enfatizou que, mesmo com defasagem, a redução da Selic abre caminho para um crédito mais barato, o que é vital para o consumo das famílias e para a capacidade de investimento das empresas.

Para a CUT, o debate sobre a Selic precisa ir além dos indicadores do mercado financeiro e considerar o impacto direto na vida das pessoas. Juros menores, defende a central, significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e uma redução do custo financeiro que pesa sobre as famílias, as empresas e, inclusive, o orçamento público. A desaceleração dos preços e da economia, na visão dos trabalhadores, cria o ambiente propício para que o Banco Central seja mais ousado em seus cortes.

A Força Sindical corrobora essa avaliação, classificando o corte de 0,25 ponto percentual como “muito tímido” e um verdadeiro “balde de água fria” para a economia no quarto trimestre. A entidade criticou o que considera uma política que concentra renda nas mãos de banqueiros e especuladores, mantendo os juros em patamares proibitivos para o setor produtivo e para a geração de empregos. Para a Força Sindical, essa política diminui a capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários e desestimula investimentos, comprometendo o crescimento econômico e a distribuição de renda no Brasil.

A Construção Civil e o Desafio do Longo Prazo

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também se manifestou, considerando positiva a redução da taxa Selic, mas com a ressalva de que o movimento precisa ter continuidade. A entidade alerta que a Selic permanece em um patamar elevado, o que impõe desafios significativos ao setor produtivo e limita uma retomada mais robusta do crédito e dos investimentos. O presidente da CBIC, Eduardo Almeida, destacou que a Selic brasileira é uma das mais elevadas do mundo, evidenciando a magnitude do desafio para os empresários do país, especialmente na construção civil, que é altamente dependente de crédito e possui um ciclo produtivo longo.

Almeida lembrou que o Brasil tem juros de dois dígitos desde o início de 2022, criando um ambiente de incerteza e dificuldade para projetos de longo prazo. Ele enfatiza a urgência de construir um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade da redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos, essenciais para o desenvolvimento do setor e para a geração de empregos. A perspectiva da construção civil reflete um anseio geral por maior previsibilidade e custo de capital mais acessível, elementos cruciais para a expansão de qualquer economia.

Perspectivas e o Equilíbrio Macroeconômico

As reações das entidades industriais e trabalhistas ao recente corte da Selic revelam uma pressão crescente por uma política monetária que vá além do estrito controle inflacionário, buscando também estimular o crescimento e o bem-estar social. Enquanto o Banco Central mantém sua postura cautelosa, alegando a necessidade de consolidar a desinflação, os setores produtivos e de trabalhadores apontam para o custo de oportunidade de um ritmo de cortes mais lento, que pode adiar a recuperação econômica e a geração de empregos. O desafio para o Copom será encontrar o ponto de equilíbrio que garanta a estabilidade de preços sem sufocar o potencial de desenvolvimento do país.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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