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Reta final: Flávio Bolsonaro vira alvo de rivais da direita em ofensiva pelo voto útil, dividindo ataques com Lula

Presidenciáveis mais bem colocados na Quaest: Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santo...

A corrida eleitoral entra em sua fase mais intensa e, no espectro da direita brasileira, uma guinada estratégica reconfigurou o tabuleiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que vinha concentrando sua artilharia no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agora se vê no centro dos ataques de seus próprios pares ideológicos. A mudança se deu após uma agressiva investida de sua campanha para capitalizar o “voto útil” e consolidar o eleitorado conservador já no primeiro turno, movimento que provocou uma reação imediata e feroz de candidatos como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Até então, o presidente Lula era o principal foco das críticas desses aspirantes ao Palácio do Planalto, que se esforçavam para se posicionar como alternativas ao petista sem elevar Flávio Bolsonaro à condição de adversário direto. Contudo, a estratégia do senador de apelar abertamente pela concentração de votos em sua candidatura, visando uma vitória antecipada, alterou drasticamente a temperatura da disputa, inaugurando uma nova frente de batalha dentro da própria direita.

A Estratégia do Voto Útil e a Fragmentação da Direita

O conceito de “voto útil” é um fenômeno recorrente na política brasileira, especialmente em eleições polarizadas. Ele se manifesta quando eleitores, temendo a vitória de um candidato indesejado, optam por votar em um concorrente que, embora não seja sua primeira opção, possui maiores chances de sucesso. Na semana passada, Flávio Bolsonaro adotou essa tática explicitamente, com um apelo direto a quem ainda tinha dúvidas ou preferia outro nome no campo conservador. “Eu faço um apelo a você que não me tem como primeira opção. Considere votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Vamos resolver essa parada já no primeiro turno”, declarou o senador, em uma clara tentativa de cooptar os eleitores dispersos.

Nos bastidores, essa ofensiva foi além das declarações públicas. Aliados de Flávio Bolsonaro buscaram sondar interlocutores ligados às campanhas de Zema, Caiado e Cury, explorando a possibilidade de eventuais desistências e a consequente união de forças em torno da candidatura do PL. A resposta, no entanto, foi de resistência, evidenciando a complexidade e a diversidade de interesses dentro do espectro da direita, que, apesar de convergências ideológicas, apresenta nuances e disputas por espaço e representatividade.

O Peso dos Números e a Reação dos Adversários

A disputa por essa fatia do eleitorado não é trivial. Segundo a pesquisa Quaest divulgada recentemente, Lula mantém 37% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%. A soma dos outros candidatos de direita — Cury (6%), Caiado (4%), Renan (3%) e Zema (1%) — atinge 14%. Esse percentual, que antes poderia ser considerado um “colchão” para o segundo turno ou uma margem de negociação, transformou-se em um alvo direto e, ao mesmo tempo, em uma força de oposição interna à estratégia de Flávio. A tentativa de abocanhar esses 14% ativou o modo “ataque” nos demais candidatos.

As Críticas de Augusto Cury: Experiência e Escândalos

Augusto Cury tem sido um dos mais incisivos. Após o debate promovido pelo Flow, no qual Flávio Bolsonaro não compareceu, Cury questionou abertamente a ausência do senador, afirmando que ele “sempre foge”. As críticas se estenderam à experiência administrativa de Flávio e à sua “promíscua” relação com o Banco Master, um tema que ganhou força nas últimas semanas. Cury também desenterrou episódios antigos, como a loja de chocolates do senador e a Operação Dark Horse, que investigou o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. A campanha de Cury, que vinha cautelosa diante dos desgastes da Dark Horse, reavaliou sua estratégia após a ofensiva de Flávio sobre seu eleitorado.

Ronaldo Caiado: A Aposta na Loteria da Rejeição

Ronaldo Caiado também intensificou o confronto, desafiando a premissa de que Flávio Bolsonaro seria a alternativa mais competitiva da direita contra Lula. Em uma declaração contundente, Caiado comparou o apoio ao senador a um “jogo de azar”, utilizando a alta rejeição de Flávio para minar o argumento do voto útil. “Quem está apostando no Flávio, na verdade, está apostando na loteria, porque ele tem 50% de rejeição e não tem como crescer. Eu tenho como crescer”, argumentou o político, posicionando-se como uma opção mais viável para o eleitorado conservador que busca um nome com maior capacidade de expansão.

Romeu Zema e a Questão do Banco Master

Romeu Zema, por sua vez, focou no caso Banco Master. Ele intensificou as críticas a figuras ligadas a Daniel Vorcaro e cobrou a saída do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto dos dois em Londres. Zema afirmou que o ex-banqueiro “comprou muito político vendido”, citando integrantes tanto do PT quanto do PL, numa clara tentativa de associar Flávio a práticas questionáveis de financiamento e influência. A pressão sobre o eleitorado do Novo gerou incômodo interno, embora a avaliação predominante seja de que Zema manterá sua candidatura, resistindo às pressões por desistência e apoio a Flávio.

Renan Santos e a Recusa à Interlocução

Renan Santos também endureceu o discurso. Ele revelou que pessoas ligadas a Flávio Bolsonaro tentaram uma aproximação por meio de amigos em comum, buscando saber se ele aceitaria conversar com o candidato do PL. Renan afirmou ter recusado a oferta e descartou qualquer apoio a Flávio em um eventual segundo turno, minimizando o impacto da ofensiva pelo voto útil. “Se tem algum efeito, é um efeito marginal. Ele está aproveitando o momento que agora é bom para ele para tentar fazer isso”, declarou, evidenciando a distância ideológica e estratégica entre sua candidatura e a de Flávio.

A Contraofensiva de Flávio: Apelo à Insatisfação

Diante da escalada dos ataques, a campanha de Flávio Bolsonaro adotou uma postura de não retrucar na mesma intensidade. A estratégia visa justamente conquistar os eleitores dos adversários, e um confronto direto poderia afastá-los ainda mais. Em vez disso, a equipe de Flávio passou a veicular peças que buscam atrair um eleitorado mais amplo, incluindo aqueles que guardam ressalvas em relação ao próprio Jair Bolsonaro. Uma inserção no rádio, veiculada nesta semana, mirou os indecisos e os insatisfeitos tanto com o ex-presidente quanto com Lula. “Se você ainda tem alguma dúvida, se ficou chateado com o Jair, se tá decepcionado com o Lula, eu quero dizer que meu nome é Flávio. Tenho minhas qualidades, meus defeitos, mas sou diferente dos dois. E o que importa é que o Brasil precisa mudar urgente: derrotar o crime, acabar com o medo e com esse sufoco. Do jeito que tá, já deu errado. Peço o seu voto de confiança pra fazer o Brasil voltar a vencer”, dizia a peça, tentando se descolar de antagonismos extremos e apresentar-se como uma via de renovação e pragmatismo.

Este embate interno na direita não apenas fragmenta a base eleitoral, mas também expõe as fissuras e os diferentes projetos políticos que coexistem sob o guarda-chuva conservador. A reta final da campanha se desenha, portanto, não apenas como uma disputa contra os adversários ideológicos, mas também como uma batalha por hegemonia e sobrevivência dentro do próprio campo, adicionando camadas de complexidade a uma eleição já altamente polarizada.

Acompanhe no Capital MT as próximas etapas desta corrida eleitoral, que promete novos capítulos e revelações. Nosso compromisso é com a informação apurada e o contexto necessário para você entender cada movimento da política brasileira, desde as estratégias de bastidores até as repercussões nas urnas, garantindo uma cobertura completa e de qualidade.

Fonte: https://oglobo.globo.com

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