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Preço do petróleo em alta pressiona subsídios do governo Lula e acende alerta para a inflação às vésperas do 1º turno

Vinícius Schmidt/Metrópoles

A cerca de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, o cenário econômico brasileiro é marcado por uma crescente tensão no mercado de combustíveis. A escalada dos preços internacionais do petróleo, impulsionada por instabilidades geopolíticas no Oriente Médio, tem colocado o governo federal sob intensa pressão, apesar de uma série de medidas paliativas para tentar frear a alta.

Desde o final de fevereiro deste ano, quando se intensificaram as hostilidades na região do Oriente Médio – um barril de pólvora com múltiplos atores e interesses, incluindo Estados Unidos, Irã e Israel –, o Brasil tem sentido o impacto direto na bomba. De acordo com levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apenas o etanol registrou queda no preço médio de revenda. Os demais combustíveis, contudo, exibiram variações que vão de 3,23% a expressivos 14,45%, como observado no diesel S10, um combustível essencial para a logística do país.

A Estratégia Governamental em Meio à Crise

Diante da ameaça de um impacto inflacionário que poderia desestabilizar a economia e o humor do eleitorado, o governo Lula optou por uma estratégia de subsídios e desonerações fiscais. A intenção primária era amortecer a volatilidade dos preços internacionais e proteger o poder de compra do cidadão, além de evitar que a alta dos combustíveis se disseminasse por toda a cadeia produtiva.

As ações foram múltiplas e escalonadas ao longo do ano. Em 12 de março, houve uma subvenção direta de R$ 0,32 por litro de diesel, paga a produtores e importadores, acompanhada da isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do mesmo combustível, gerando uma redução adicional de R$ 0,32 por litro. Pouco depois, em 8 de abril, decretos estabeleceram alíquota zero de PIS/Cofins para o biodiesel importado e comercializado, com economia estimada em R$ 0,15 por litro.

Ainda em julho, a gasolina recebeu uma subvenção econômica de R$ 0,44 por litro, instituída via Medida Provisória. Já em 9 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória 1.391/2026, autorizando uma nova e mais robusta subvenção econômica de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário. Complementarmente, foi implementada a isenção total (alíquota zero) de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado (R$ 0,19/litro) e uma redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins para gasolina, ambas válidas de 10 de setembro a 9 de outubro de 2026.

O Custo dos Subsídios e a Eficácia Limitada

Apesar do esforço governamental, os dados da ANP, que monitora os preços semanalmente em todo o país, revelam que a pressão externa é persistente. A gasolina comum, por exemplo, teve seu preço médio de revenda elevado em 3,98% entre 28 de fevereiro e a semana encerrada em 12 de setembro, passando de R$ 6,28 para R$ 6,53. O óleo diesel, por sua vez, registrou um aumento de 8,62% no mesmo período, saltando de R$ 6,03 para R$ 6,55. É crucial ressaltar que, sem os subsídios, a alta teria sido ainda mais acentuada; em março, o diesel chegou a custar R$ 7,45 o litro, mostrando o alívio temporário que as medidas proporcionaram.

O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), Carlos Eduardo Oliveira Jr., aponta para a complexidade da situação. Ele lista fatores como a forte dependência brasileira de importações de combustíveis, especialmente do diesel, a estrutura tributária, e os custos intrínsecos de distribuição como elementos que limitam a eficácia total dos subsídios. O Estado, ao intervir, assume um ônus fiscal significativo, como evidenciado pela Medida Provisória que concede crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões para custear a subvenção à importação e produção de combustíveis.

Impacto na Inflação e na Economia Real

A elevação dos preços dos combustíveis tem um efeito cascata em toda a economia. O diesel, por ser o principal insumo do transporte rodoviário de cargas, influencia diretamente o valor dos fretes, que se reflete no custo final de praticamente todos os produtos. Este mecanismo é um motor potente da inflação. Em março deste ano, por exemplo, a inflação atingiu 0,88% — o maior índice mensal do ano —, com o grupo de transportes, incluindo combustíveis, subindo 1,64%. Só a gasolina aumentou 4,59% e o diesel, 13,9% naquele mês.

Para estados como Mato Grosso, que dependem fortemente do agronegócio e de uma vasta malha rodoviária para escoar sua produção, a alta do diesel é particularmente crítica. O aumento nos custos de transporte impacta desde o pequeno produtor rural até o grande exportador, elevando o preço dos alimentos nas gôndolas e comprometendo a competitividade dos produtos locais no mercado nacional e internacional. A pressão sobre o frete, um componente vital na formação de preços, acaba sendo sentida diretamente no bolso do consumidor mato-grossense.

O Cenário Eleitoral e o Dilema Fiscal

A proximidade do primeiro turno das eleições de 2026 adiciona uma camada de complexidade à situação. Governos, em períodos eleitorais, frequentemente buscam adotar medidas que demonstrem controle econômico e alívio para a população, o que torna a gestão dos preços dos combustíveis um tema politicamente sensível. A manutenção dos subsídios, embora necessária para evitar um choque ainda maior na inflação, gera um custo fiscal considerável, levantando questões sobre a sustentabilidade dessas políticas a médio e longo prazo. O montante de R$ 6,6 bilhões alocado para a subvenção ilustra o dilema: proteger a população no curto prazo com despesas extraordinárias que tensionam o orçamento público.

O futuro dos preços dos combustíveis no Brasil permanecerá atrelado à dinâmica geopolítica global e às decisões da política econômica interna. A capacidade do governo de equilibrar a proteção ao consumidor com a responsabilidade fiscal será um dos grandes desafios nos próximos meses, com implicações diretas para a estabilidade econômica e para a vida de milhões de brasileiros.

Acompanhar de perto esses desdobramentos é essencial para entender como o cenário global e as decisões políticas impactam seu dia a dia. Continue conectado ao Capital MT para análises aprofundadas, notícias atualizadas e contextualizadas sobre este e outros temas que moldam a realidade de Mato Grosso e do Brasil, com a credibilidade e a profundidade que você já conhece.

Fonte: https://www.metropoles.com

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