O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou um aumento significativo em sua aprovação, alcançando o índice mais alto desde o final do ano anterior. Dados da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, revelam que a melhora é impulsionada por um desempenho mais favorável em regiões e grupos demográficos que, tradicionalmente, representam desafios ou são considerados eleitorados mais críticos à atual gestão, como a região Sul, o público masculino e os eleitores independentes.
Pela primeira vez desde dezembro passado, o índice de aprovação do governo (48%) supera numericamente a desaprovação (47%) no levantamento da Genial/Quaest. Essa inversão marca um ponto importante na trajetória da gestão petista, que em julho do ano anterior enfrentava uma desaprovação de 53%. A taxa negativa caiu para 48% na pesquisa anterior, em junho, consolidando uma tendência de recuperação da imagem governamental. Cerca de 5% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
A Virada em Eleitorados Estratégicos
Um dos destaques do estudo é a melhora na percepção do governo na região Sul do país, historicamente um bastião do bolsonarismo e um dos locais onde o presidente Lula enfrentou maior resistência. A desaprovação no Sul recuou cinco pontos percentuais, de 63% em junho para 58% na pesquisa atual. No mesmo período, a aprovação subiu de 33% para 37%. Essa mudança de cenário, ainda que modesta, indica uma possível reavaliação por parte do eleitorado sulista, com potenciais desdobramentos para o tabuleiro político regional e a formação de novas alianças políticas.
A tendência de melhora não se restringe apenas ao Sul. Outras regiões como Sudeste, Centro-Oeste e Norte também apresentam sinais de desempenho mais positivo para o governo. No Sudeste, por exemplo, a desaprovação caiu de 58% em abril para 50% agora, um recuo de oito pontos percentuais. Além disso, o público mais jovem, na faixa etária entre 16 e 34 anos, demonstra uma virada notável. Em junho, a gestão era reprovada por 50% e aprovada por 43%. Atualmente, a aprovação entre os jovens inverteu, chegando a 48%, enquanto a desaprovação recuou para 46%. Esse segmento é crucial para a formação de novas opiniões e para a sustentabilidade de um projeto político a longo prazo.
A pesquisa também aponta uma diminuição da resistência entre o eleitorado masculino e uma estabilização entre os independentes, grupos que historicamente apresentavam maior ceticismo em relação ao governo petista. Entre os homens, a desaprovação caiu de 53% para 50% em apenas um mês, embora a aprovação ainda seja inferior à das mulheres (46% contra 50%). Já entre os eleitores independentes, aqueles sem filiação partidária ou preferência consolidada, a diferença entre aprovação e desaprovação se anulou, atingindo 45% para ambos os índices. Em junho, a desaprovação era de 47%, e a aprovação, de 41%, evidenciando um avanço significativo na neutralização das críticas desse grupo e na ampliação da base de diálogo do governo.
Mesmo em segmentos tradicionalmente mais críticos, como o de alta renda e o evangélico, o governo conseguiu reduzir a percepção negativa. Para aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos, a desaprovação diminuiu de 60% em junho para 54% agora, com a aprovação subindo de 35% para 41%. A diferença entre os índices caiu de 25 para 13 pontos percentuais em um mês, indicando uma reavaliação. No segmento evangélico, que se tornou um campo de intensa disputa política nos últimos anos, a desaprovação recuou de expressivos 68% em abril para 58% na pesquisa atual, ao passo que a aprovação saltou de 28% para 37% no mesmo período. Tais movimentos sugerem que as ações do governo, sejam elas econômicas ou de comunicação, estão começando a ressoar em públicos que antes se mostravam mais reticentes.
Avaliação Geral e Impacto na Governabilidade
A percepção geral sobre o trabalho do governo também reflete essa tendência de melhora. Atualmente, 36% dos brasileiros consideram a gestão como positiva, enquanto 26% a avaliam como regular. O percentual de avaliação negativa está em 36%, um recuo em relação aos 40% registrados há um ano. Este cenário é bastante distinto do pior momento observado em março deste ano, quando a avaliação negativa chegou a 43%, e apenas 31% consideravam o trabalho positivo. A estabilização e a queda da rejeição podem conferir maior margem para o governo implementar sua agenda no Congresso Nacional e enfrentar os desafios políticos e econômicos que se apresentam.
Lula Lidera Cenários para 2026, Segundo a Genial/Quaest
A pesquisa Genial/Quaest não se limitou à aprovação governamental e projetou cenários para um possível segundo turno nas eleições presidenciais de 2026. O presidente Lula demonstra forte liderança em todas as simulações. No confronto direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e tido como um dos principais adversários no campo da direita, Lula aparece com 45% das intenções de voto contra 37% de Flávio. Este resultado representa um leve avanço para o petista, que na pesquisa anterior marcava 44%, enquanto o senador tinha 38%. A oscilação positiva para Lula ocorre em um contexto de maior exposição midiática de Flávio Bolsonaro, inclusive por questões polêmicas.
Os dados da pesquisa ainda mostram Lula à frente em outros confrontos. Contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o presidente alcança 45% das intenções de voto, frente aos 36% do político goiano. No embate com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Lula mantém 45%, enquanto Zema registra 35%. Em uma simulação com Renan Santos, do Movimento Brasil Livre (MBL), o presidente também se destaca com 45% das intenções. Esses números sublinham a resiliência eleitoral de Lula e a dificuldade da oposição em consolidar uma alternativa viável, ao menos neste estágio inicial da corrida sucessória, apontando para um cenário eleitoral ainda dominado pelo atual presidente.
Metodologia e Confiabilidade dos Dados
O levantamento da Genial/Quaest foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho de 2024, com a aplicação de 2.004 entrevistas presenciais em diversos estados. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. As informações foram devidamente registradas na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026, garantindo a transparência e a conformidade do estudo com as normas eleitorais vigentes e a credibilidade dos dados apresentados.
Os resultados da Genial/Quaest delineiam um cenário de fortalecimento da base de apoio do governo Lula, indicando que a gestão tem conseguido reverter parte da rejeição em segmentos cruciais para a política nacional. Acompanhar a evolução desses índices e suas repercussões será fundamental para entender os próximos capítulos da política brasileira e seus impactos em cada região do país. Para se manter sempre bem informado sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando as análises e reportagens aprofundadas do Capital MT, seu portal de informação relevante e contextualizada sobre o que acontece no Brasil e em Mato Grosso.
Fonte: https://oglobo.globo.com