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Botelho mentiu em debate; documentos comprovam devolução de R$ 800 mil à Justiça

O candidato a prefeito de Cuiabá, Eduardo Botelho (União Brasil), mentiu durante o debate da TV Vila Real realizado nesta terça-feira (3).

Durante questionamento do adversário Lúdio Cabral (PT) que apontou a existência de documentos dos quais Botelho admite que participou de um esquema de desvio de dinheiro do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), Botelho classificou como mentira. “Sou ficha limpa e defendo que corrupto deve sair da política”, afirmou.

Porém, a reportagem teve acesso à íntegra do acordo de não persecução cível que Botelho firmou com o Ministério Público Estadual (MPE) e foi homologado pelo juiz da Vara Especializada em Ações Coletivas Bruno D” Oliveira Marques no dia 25 de julho de 2023.

Nas investigações da Operação Bereré, deflagrada no primeiro semestre de 2018 pelo NACO (Núcleo de Ações de Competência Originária) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), os promotores de Justiça ofereceram denúncias nas esferas cível e criminal.

Na esfera cível, Botelho se antecipou, admitiu corrupção e devolveu R$ 800 mil aos cofres públicos.

Pelo acordo firmado na Justiça, Botelho pagou R$ 350 mil à vista, comprometendo-se, ainda, a pagar mais 60 parcelas de R$ 7.231,97 (Sete mil duzentos e trinta e um mil reais e noventa e sete centavos).

Botelho também aceitou pagar R$ 50 mil por dano moral coletivo e outros R$ 50 mil a título de multa civil.

Um jurista consulta pela reportagem avalia que Botelho confessou corrupção para não ser condenado por improbidade administrativa, o que poderia deixá-lo inelegível nos próximos anos.

“As provas arroladas pelo Ministério Público são robustas. O juiz poderia vir a condená-lo por improbidade administrativa. Se a sentença de condenação viesse a ser mantida em segundo grau, Botelho ficaria inelegível nos termos da Lei da Ficha Lima que proíbe o registro de candidatura dos condenados em órgãos colegiados”, explica.

A Operação Bereré também resultou em uma denúncia criminal que está disponível para consulta a qualquer cidadão. Basta ir no Google e digitar os seguintes termos: “Operação Bereré Detran MPE MT”.

A ação penal assinada por seis promotores de Justiça atribui a Botelho os crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas ultrapassam 50 anos de cadeia. O processo, porém, está em segredo de Justiça.

Acordo de não persecução cível Eduardo Botelho – Operação Bereré

Com informações Redação 

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