O primeiro debate dos candidatos a prefeito de Cuiabá nas eleições de 2024, realizado pelo site Primeira Página, vinculado à TVCA, mostrou que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil), está completamente despreparado para o debate público.
Apesar do amplo arco de alianças, formado por nove partidos, incluindo aparições públicas do seu correligionário, governador Mauro Mendes e da primeira-dama Virgínia Mendes em apoiá-lo, a tendência é que Botelho derreta nas pesquisas eleitorais, não disputando sequer o segundo turno.
Especialistas apontaram que os vitoriosos do debate foram o deputado federal Abilio Brunini e o deputado estadual Lúdio Cabral, gerando assim a expectativa em Cuiabá de que a disputa a prefeito seja polarizada pelo PL e PT, a exemplo da histórica eleição presidencial de 2022 vencida com diferença mínima de votos pelo atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Após a pífia participação no debate, marcada pela fraqueza na apresentação de propostas e fuga total de temas polêmicos, a campanha de Eduardo Botelho já acendeu a luz vermelha: quer blindá-lo de debates futuros. A ideia é garantir a presença somente nos debates que serão organizados pela TV Vila Real, filiada da TV Record, e da TVCA, filiada da Rede Globo.
Ainda assim, existe o risco claro de derretimento de votos, levando a um vergonhoso terceiro ou até quarto lugar nas urnas.
A análise dos especialistas em política é fundamentada nos seguintes pontos. Primeiro, Botelho não respondeu aos questionamentos dos adversários Abilio Brunini e Ludio Cabral, de que seu irmão, o empresário Rômulo Botelho, é o dono das empresas União Transportes, Integração Transportes e ainda é presidente da AMTU (Associação Mato-Grossense de Transportes Urbanos).
Ou seja, controla a frota precária de ônibus em Cuiabá e Várzea Grande que sacrifica a classe mais pobre. Lembrando que o transporte coletivo é uma das principais reclamações do povo de Cuiabá e Várzea Grande.
Segundo, Botelho não explicou o motivo que estava levando o governo do Estado a comprar a frota de ônibus do BRT e entregá-lo para ser gerenciado pela CMT (Consórcio Municipal de Transportes), gerenciado pelo seu irmão, o empresário Rômulo Botelho.
O escândalo, abafado pela imprensa amiga, levou Botelho a xingar publicamente o deputado Lúdio Cabral em uma sessão na Assembleia Legislativa e até ameaçá-lo de agressão física.
“O risco de derretimento é real. Quem não se lembra das eleições de 2020, quando Roberto França estava liderando as pesquisas com apoio do mesmo governador e foi liquidado ao longo da campanha? Diferente de Botelho, Abilio Brunini e Lúdio Cabral não tem motivos para explicar fatos de corrupção e favorecimento do Estado às suas empresas, até porque, ambos não as tem. O eleitor não quer um perfil de político associado às negociações escondidas envolvendo poderes. O fiasco da campanha de Botelho nunca esteve tão real”, disse um cientista político que pediu para não ser identificado.
Diante das críticas dos adversários, Botelho silenciou e nada comentou a respeito do seu irmão gerenciar o sistema de frota de ônibus de Cuiabá e Várzea Grande. Além disso, quando Botelho foi questionado a respeito da Operação Bereré, da qual é acusado por seis promotores de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso de organização criminosa e lavagem de dinheiro em um esquema de desvio de dinheiro do Detran (Departamento Estadual de Trânsito).
Em uma fala desastrosa e desconexa, Botelho não soube explicar como combater a corrupção e ter eficiência na gestão municipal, declarando que “a corrupção sai da administração”. “A corrupção não é do servidor. Você sabe de onde que sai a corrupção. É da administração. Não é culpa do servidor responsável pela UPA não funcionar, pela falta de remédio”, disse.
Quem assistiu ao debate, a conclusão é a seguinte: o governador Mauro Mendes perdeu a eleição municipal ao não escolher seu pupilo Fábio Garcia para a disputa a prefeito de Cuiabá.
Com informações Redação
