Medeiros: Demissão de Neri e anulação de leilão são cortina de fumaça do governo para não explicar irregularidades

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O deputado federal José Medeiros (PL) avaliou que as ações do governo federal em demitir o Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Neri Geller (PP), e anular o leilão para importação de arroz realizado na semana passada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) são uma cortina de fumaça.

Conforme Medeiros, logo após vir à tona a relação entre um ex-assessor de Geller com três das quatro empresas que venceram o leilão para importação de arroz para o Brasil, a oposição chamou os ministros da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário para prestar esclarecimentos, mas logo veio a demissão de Geller.

“Cortina de fumaça admitindo que havia alguma coisa a ser explicada, senão ele não teria porque cancelar o leilão, não é verdade?”, analisou o parlamentar em vídeo divulgado nesta terça-feira (11).

Duas empresas criadas por Robson Luiz de Almeida França, ex-assessor de Neri Geller quando ele foi deputado federal, intermediaram a venda de 44% do arroz importado por meio de leilão.

As empresas em questão são a Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e a Foco Corretora de Grãos, criadas em maio de 2023, um mês antes do anúncio da volta das compras do governo federal para estoque.

Ocorre que Robson França é sócio do filho de Neri, Marcelo Piccini Geller, na empresa GF Business, criada em agosto de 2023. Isso levantou suspeita de conflito de interesses na condução do certame, que foi anulado por conta da movimentação da oposição para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Fazendo coro ao setor produtivo, Medeiros criticou a postura do governo em decidir importar arroz sem estabelecer canais de diálogo com a sociedade e de optar pela alternativa que prejudicaria os produtores brasileiros.

“Esse leilão, essa compra de arroz, prejudicaria imensamente o segmento arrozeiro do Brasil. Se o governo queria abaixar preço, bastava ele desonerar, tirar o imposto sobre o arroz, mas não, ele preferiu, sem conversar com ninguém, fazer uma compra e aí uma compra cheia de dúvida”, disse.

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